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Enquadramento CJ


Os fundamentos que criaram o movimento do Comércio Justo (CJ) estão hoje mais vivos que nunca. O slogan “Comércio e não ajuda” que os países mais pobres lançaram nos anos 60 continua, infelizmente, actual. O Comércio Justo assenta em 4 pilares fundamentais:
a) No pagamento de um preço justo ao produtor (colocando as pessoas á frente do lucro);
b) No pré-financiamento e na capacitação/apoio dos produtores;
c) Nas relações comerciais de longa duração;
d) Na sustentabilidade ambiental
Este movimento é um poderoso instrumento de cooperação para o desenvolvimento pois utiliza o mercado e o comércio como ferramenta de trabalho para combater a pobreza, a exploração das pessoas e dos recursos. Como aliás refere o velho provérbio chinês: “Se quiseres matar a fome de alguém dá-lhe um peixe. Mas, se quiseres que ele nunca mais passe fome, ensina-o a pescar”.
Não é por isso acaso que nos últimos anos o nosso movimento tenha sido reconhecido junto das mais diversas instâncias políticas internacionais. A própria União Europeia, através dos seus organismos, já produz legislação específica que apoia a promoção do Comércio Justo e incentiva a sua entrada nos fornecimentos a entidades públicas.
E, claro está, surge como peça determinante nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) que, recorde-se, pretendem entre outras coisas erradicar a pobreza extrema até 2025. Citando um dos mais importantes economistas do mundo, Jeffrey Sachs (autor do livro O Fim da Pobreza) ”um mundo onde alguns vivem em conforto e abundância, enquanto metade da raça humana subsiste com menos de dois dólares por dia, não é justo nem estável”.
Este autor aponta vários passos a dar para acabar com a pobreza e diminuir as desigualdades, sobretudo económicas, entre um Norte do Mundo, rico, consumidor e um Sul do Mundo, pobre, produtor. Entre elas constam (referimos apenas algumas que consideramos mais relevantes para este dossier):
O fortalecimento das Nações Unidas (e das agências especializadas que dela dependem – UNICEF, FAO, OMS, etc.);
A realização do potencial da ciência global (tendo presente que o financiamento público, as filantropias privadas e as fundações sem fins lucrativos terão de ajudar a suportar o compromisso de tratar os desafios não ultrapassados pelos mais pobres, precisamente porque as forças de mercado não serão, por si só, suficientes
a ciência tanto tende a seguir as forças de mercado, como a liderá-las tornando os ricos mais ricos num ciclo continuo de crescimento endógeno);
A promoção do desenvolvimento sustentável e;
O assumir de um compromisso pessoal, pois no final, a solução está em nós, enquanto indivíduos.
São hoje mais poderosas que nunca as palavras de Robert Kennedy (no seu discurso no dia do juramento, 6/6/66) “Que ninguém se deixe desencorajar pela convicção de que não há nada que um homem ou uma mulher possam fazer contra o enorme conjunto dos males do mundo – a miséria e a ignorância, a injustiça e a violência... Poucos terão a grandeza de vergar a própria história, mas cada um de nós pode trabalhar para mudar uma pequena parte dos acontecimentos e da totalidade de todos esses actos será escrita a história da sua geração... É a partir de inúmeros e diversos actos de coragem e convicção que a história humana é formada. Cada vez que um homem luta por um ideal, ou age para melhorar o destino dos outros, ou combate a injustiça, produz uma pequena onda de esperança; cruzando as ondas produzidas por um milhão de focos de energia e audácia, constrói-se uma corrente que pode derrubar os muros da mais poderosa opressão e resistência”